20 de dezembro de 2013

A voz interior


Quando eu atendi meu telefone pessoal como se estivesse atendendo o telefone do trabalho com um “Hospital Municipal, bom dia”, eu percebi que essa era a forma natural do meu corpo dizer “ok, você precisa de férias”.

Logo eu compreendi que o termo ‘voz interior’ é bem mais literal do que eu pensava.

Como quando eu trabalhava como recepcionista no período de alta estação. O relógio já marcava 3:00 da tarde eu ainda não tinha tido oportunidade de almoçar com o corre-corre de check in dos turistas. Não demorou muito até meu corpo dar inicio a sua comunicação, emitindo um longo ronco que soou como uma baleia morrendo, para espanto da hospede que eu atendia no momento, que rapidamente me mostrou uma barra de cereal que tirou de dentro da bolsa e, com uma piscada, empurrou na minha direção sobre o balcão.

Há reações mais intensas.

O que dizer dos desejos mais insanos das gravidas? Outro dia meu amigo me falou espantado do caso de uma gestante que após passar o batom, ficou fissurada pelo gosto, para espanto do marido que entrando no quarto, a flagrou lambendo o  cosmético feito um pirulito.

E pra quem ainda tem dúvidas da capacidade desse alter ego, deixo o seguinte caso:

As 2:00 da madrugada, Rebekah Armstrong acordou com sons que vinham do jardim. Quando olhou pela janela encontrou o marido Ian calmamente aparando a grama... nu. Obviamente a voz interior de Ian se aproveitou de um episodio de sonambulismo para executar o que a tanto tempo vinha dizendo: ‘Corte a grama!’. O jardineiro da madrugada voltou à cama mais tarde e não acreditou em Rebekah quando, no dia seguinte, ela disse o que ele andou fazendo. Fazer o quê?

O coração quer o que o coração quer.

 

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