Eu não posso ser o único que acha estranho comer algo que poderia ser, ao que tudo indica, isopor com cheiro, cor e sabor artificial. Ok. Não temos mais tempo de cultivar a própria horta e suponho que a maioria não se imagina correndo atrás de uma galinha de um lado para o outro do quintal como faziam nossos avós quando iam preparar o almoço. Mas será que algum de nós já parou para pensar o que é esse tal “corante Caramelo IV” dos refrigerantes ou o “edulcorante E 951” dos iogurtes? Não sou nenhum Erin Brockovich, mas quando o composto de uma comida se transforma numa sigla numérica, algo está errado.
“Se tiver gosto bom faz mal, mas se tem gosto de algo esquecido a três meses dentro da geladeira, deve fazer bem à saúde”
Sim, todo nós sabemos que comida industrializada não tem como lema “saúde em primeiro lugar”, mas isso vai mudar nosso hábitos alimentícios? Dificilmente. E entendo que o fato de estar comendo lasanha industrializada enquanto escrevo esse artigo não ajuda muito a dar força ao meu argumento.
Mas quando foi a ultima vez que você ouviu alguém exclamar: “Hum! Que brócolis delicioso!” A grande maioria prefere é um hambúrguer do McDonnalds mesmo. Em se falando do hambúrguer do MCDonalds: Em 2012 o chef Jamie Oliver conseguiu provar que a carne usada para criar o recheio deles é a mesma usada para fabricar alimento para cães, e que a rede de lanchonetes utilizava hidróxido de amônia na tentativa de reduzir a quantidade de micróbios dela, num metodo que Oliver batizou de “processo da gosma rosa”.
Tentando convencer um grupo de crianças sobre o tipo de comida que eles estavam ingerindo nas redes fast-food, Oliver demonstrou o processo de fabricação a elas, jogando a carcaça do frango junto com restos de pele e vísceras no triturador, enquanto as crianças se contorciam de nojo, depois adiconou aromatizantes e estabilizadores, fez um bolinho, passou na farinha de rosca e fritou. “Quem ainda tem coragem de comer isso?” – Ele perguntou desafiadoramente. Todas as crianças levantaram a mão. Se sentindo derrotado ele quis saber “Mas, porquê?” “Porque estamos com fome” – Foi a resposta em uníssono.
Meu amigo Diogo, cuja ultima vez que comeu uma fruta foi provavelmente ainda nos anos 90, disse ter conseguido abreviar todo o conceito de alimentação saudável numa única frase: “Se tiver gosto bom faz mal, mas se tem gosto de algo esquecido a três meses dentro da geladeira, deve fazer bem à saúde”.
Quando Friedrich Nietzsche disse que “O que não nos mata, nos fortalece”, ele não contava com o fator alimentício. E agora se me dão licença, a água do miojo já está fervendo, e para desencargo de consciência eu utilizo o mesma desculpa das crianças e finjo que não estou comendo veneno gostoso.
E reformulando um antigo ditado: O que os olhos não veem… as artérias sentem.
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O website do jornal online dizia numa das manchetes "Marido morre afogado quando jogava cinzas da mulher no mar". Mais abaixo um dos leitores comentou "E viveram felizes para sempre"